13/10/2025

Imperativo Estratégico

A internacionalização das artes cênicas é hoje um eixo estratégico fundamental para ampliar a presença do Brasil no cenário cultural global e fortalecer a imagem do país por meio de sua produção artística. Mais do que promover intercâmbio ou difusão cultural, trata-se de compreender as artes da cena como um ativo de alto valor no campo da economia criativa e das relações culturais internacionais, capaz de gerar impacto simbólico, econômico e social.

No contexto internacional, os festivais de artes performativas têm se consolidado como os principais epicentros de circulação e visibilidade. São eles que possibilitam o encontro de diferentes referências culturais, a formação de redes de colaboração, a difusão de obras e a projeção de artistas em novos mercados. Países que reconhecem esse papel estratégico, como Espanha, Reino Unido e França, têm desenvolvido políticas consistentes de apoio à presença de seus artistas nesses circuitos. O resultado é uma participação contínua e expressiva em programações internacionais, que garante não apenas reconhecimento simbólico, mas também abertura de mercados, geração de oportunidades de trabalho e fortalecimento de suas imagens culturais no exterior.

O Brasil, por sua vez, ainda carece de uma política pública estruturada voltada para a internacionalização das artes cênicas. Apesar de contar com festivais importantes que integram o circuito internacional, o país não dispõe de um sistema organizado de coleta de dados e indicadores sobre produção, circulação, público e impactos socioeconômicos de suas artes performativas. A ausência desse mapeamento dificulta a formulação de estratégias eficazes para inserção internacional e compromete a competitividade brasileira frente a países vizinhos, que apresentam condições de produção e contextos semelhantes, mas resultados mais robustos no campo da difusão cultural.

Essa lacuna se torna evidente quando observamos a participação incipiente de espetáculos brasileiros em festivais internacionais de grande porte, mesmo em países próximos, onde o acesso seria mais viável. O FIBA – Festival Internacional de Buenos Aires, o FIDAE – Festival Internacional de Artes Escénicas do Uruguai, o Santiago a Mil e Santiago OFF, no Chile, o Festival Ibero-Americano de Teatro de Bogotá são exemplos de eventos de destaque na América Latina com a presença brasileira reduzida e esporádica. Essa discrepância revela a ausência de estratégias institucionais que pensem a internacionalização não apenas como difusão cultural, mas como política de Estado capaz de gerar benefícios duradouros.

Investir na internacionalização das artes cênicas brasileiras significa, portanto, criar as condições necessárias para que artistas, grupos e produções nacionais ampliem sua circulação, consolidem presença em programações internacionais e fortaleçam a imagem do Brasil como produtor de cultura contemporânea de relevância global. Tal investimento implica benefícios múltiplos: diversificação dos mercados culturais, geração de empregos, dinamização das economias locais, ampliação do alcance simbólico das obras e posicionamento do país no cenário internacional.

Dessa forma, a internacionalização deve ser compreendida não como um privilégio ou ação isolada, mas como um imperativo estratégico para o desenvolvimento cultural e diplomático do Brasil. Somente com políticas públicas consistentes, baseadas em diagnóstico e planejamento de longo prazo, será possível ocupar de forma mais assertiva os espaços de circulação internacional, ampliar a presença das artes da cena brasileiras e garantir que a produção nacional esteja à altura de sua potência criativa no cenário mundial.

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