EdiçãoEspanhola

O Projeto de Internacionalização de Dramaturgias – Edição Espanhola envolveu diferentes artistas brasileiros de teatro e promoveu um encontro entre encenadores e tradutores com textos fundamentais da rica produção contemporânea da Espanha. Um projeto que a um só tempo articula tradução, edição, criação artística, intercâmbio, registro, reflexão e difusão.

O programa cultural da Acción Cultural Española – AC/E, encontrou o apoio da Márcia Dias, CEO da Buenos Dias e Curadora e Diretora do TEMPO_FESTIVAL – Festival Internacional do Rio de Janeiro, que convidou a Editora Cobogó a publicar os textos dramatúrgicos, e quatro prestigiosos festivais, do Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil, para somarem forças. O projeto passou, assim, a congregar o Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas; Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília; Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia – FIAC; e RESIDE FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de Pernambuco.

Uma ideia inédita: convidar dez conhecidos diretores de teatro do Brasil para fazerem eles mesmos a tradução de dez textos teatrais contemporâneos de autores espanhóis. Uma vez traduzidas, lançar as dez peças numa série pela Editora Cobogó, cuja linha editorial busca sempre a valorização e a divulgação da dramaturgia contemporânea. E, por fim, uma residência artística para a apresentação dos textos ao público em leituras dramatizadas, dirigidas pelos próprios diretores/tradutores com companhias de teatro das cinco cidades brasileiras onde acontecem cinco dos maiores festivais internacionais de teatro do País: Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Recife, com vistas à troca de experiências entre contextos culturais dentro das fronteiras brasileiras, estendendo, assim, o caráter de articulação e intercâmbio intrínseco ao projeto internacional.

Com os livros, as peças ganharam outros territórios — outras encenações podendo ser elaboradas e outros universos construídos. Uma oportunidade para discutir outras linguagens no teatro, outros modos de pensar a dramaturgia, outras vozes, e, ainda, estimular a construção de uma cultura de ler teatro.

A Acción Cultural Española (AC/E), dentro do contexto do seu apoio ao setor cultural espanhol, criou o Programa de Internacionalização de Autores Teatrais Espanhóis Contemporâneos com o principal objetivo de divulgar a dramaturgia espanhola atual e promover a montagem destas obras por companhias profissionais estrangeiras, buscando integrar as culturas e formas de fazer teatro em outros países.

Neste sentido, a AC/E considerou que o Brasil, devido ao seu peso e dinamismo cultural, constituiu um cenário ideal para a realização deste programa.

Um comitê, formado por Guillermo Heras, Eduardo Vasco, Carme Portacelli, Ernesto Caballero, Juana Escabias e Eduardo Pérez Rasilla, selecionou as obras de acordo com os seguintes critérios: as obras devem ter sido escritas no século XXI, ter recebido ao longo da sua trajetória profissional pelo menos um prêmio de dramaturgia, ser aptas para a montagem e tratar de um tema geral que permita aproximar os nossos autores a um público com pouco conhecimento sobre a dramaturgia espanhola contemporânea.

Os artistas brasileiro, responsáveis pelas tradução e direção da leitura dramatizada, e dramaturgos e obras espanholas selecionados foram: Cliff (Acantilado), de Alberto Conejero Fernando Yamamoto; Après moi le déluge, de Lluisa Cunillé, Marcio Meireles, Dentro de la tierra, de Paco Becerra, Roberto Alvim; El principio de Arquímedes, de Josep María Miro i Coromina, Luís Arthur Nune;s La paz perpetua, de Juan Mayorga, traduzido por Aderbal Freire-Filho e encenado por Fernando Philbert; Los cuerpos perdidos, de José Manuel Mora, Cibele Forjaz; Münchhausen, de Lucía Vilanova, Pedro Brício; NN12, de Gracia Morales, Gilberto Gawronski; Perro muerto en tintorería: los fuertes, de Angélica Lidell, Beatriz Sayad e Atra Bilis, de Laila Ripoll, Hugo Rodas.

Esta iniciativa ofereceu aos artistas brasileiros um expressivo conjunto da diversidade de propostas dramatúrgicas da atualidade de autores espanhóis.

Márcia Dias ao criar o projeto de Internacionalização de Dramaturgias objetiva gerar oportunidade para internacionalizar o teatro brasileiro, uma vez que o projeto além divulgar a dramaturgia contemporânea, envolver diferentes artistas de teatro, promove encontros entre encenadores e dramaturgos, incentiva a realização das montagens das obras e estimula a troca de maneiras de fazer teatro em distintos territórios, promovendo a integração e fortalecendo os laços de intercâmbio cultural entre os países.

Cliff (Precipício), de Alberto Conejero López

Tradutor: Fernando Yamamoto

Cliff insere o espectador no universo caótico do ator americano Montgomery Clift que, decidido a abandonar a carreira cinematográfica e o assédio dos meios de comunicação, terá que enfrentar seu passado e suas consequências no presente: o acidente de carro que desfigurou seu rosto, o desejo conflituoso e sua relação com os colegas de profissão. Ficção escrita a partir de acontecimentos reais da vida do ator, o premiado texto de Alberto Conejero López, traduzido para o português por Fernando Yamamoto, apresenta o olhar ora lúcido, ora alucinado de Monty Clift, a quem restou resgatar do naufrágio de sua existência seu bem mais precioso: o ofício de ator.

Dentro da terra, de Paco Bezerra

Tradutor: Roberto Alvim

Dentro da terra é, nas palavras do autor Paco Bezerra, um thriller rural. Ambientada na região das estufas agrícolas da província de Almería, na Espanha, a peça conta a história de Indalécio, um jovem escritor inconformado com as injustiças e os desmandos do pai no comando dos negócios, mas incapaz de enfrentá-lo para promover transformações. A peça, vencedora do Premio Calderón de la Barca (2007) e do Premio Nacional de Literatura (2009), aborda a exploração da qual padecem os imigrantes, a degradação do meio ambiente e as conturbadas relações familiares.

Os corpos perdidos, de José Manuel Mora

Tradutora: Cibele Forjaz

Os corpos perdidos é ambientada em Ciudad Juárez, um dos cenários mais violentos do México na década de 1990. Vencedora do Premio SGAE de Teatro em 2009, a peça aborda uma onda de assassinatos de mulheres, mais de 300 foram mortas, expondo a impunidade dos responsáveis e o descaso do governo perante a situação. Com uma estrutura narrativa inovadora, o texto explora a dolorosa memória social de Ciudad Juárez através das experiências individuais de seus personagens – prefeitos, acadêmicos, juízes e, certamente, mulheres.

A paz perpétua, de Juan Mayorga

Tradutor: Aderbal Freire-Filho

Três cachorros – Odin, Emanuel e John-John – participam de um processo seletivo pela prestigiada “coleira branca”, oferecida a um representante canino do corpo de elite de combate antiterrorismo. As provas secretas são conduzidas por um quarto cachorro e antigo portador da coleira, Cassius, e acompanhadas pelo Humano. Em A paz perpétua, traduzido para o português por Aderbal Freire-Filho, Juan Mayorga mistura elementos de teatro e fábula, e aborda, através de seus cachorros, temas como filosofia, autoridade, política e violência.

Atra bílis, de Laila Ripoll

Tradutor: Hugo Rodas

Em Atra bílis a dramaturga Laila Ripoll navega com humor nas águas fantásticas do realismo mágico para nos apresentar o universo das irmãs Nazária, Daria e Aurorinha, e sua criada Ulpiana. As quatro senhoras se encontram no funeral do marido da primogênita Nazária e, por meio de provérbios, rezas, referências bíblicas, mitológicas e literárias, discutem rancores e segredos, compondo um retrato das relações familiares, da velhice e da situação das viúvas nas aldeias espanholas.

NN12, de Gracia Morales

Tradutor: Gilberto Gawronski

NN, expressão em latim que designa “nome desconhecido”, é a denominação dada à personagem principal da peça NN12, uma mulher cujo corpo foi encontrado junto a outros 11 em uma cova coletiva. A causa e as circunstâncias de sua morte são misteriosas e uma jovem médica-legista tem a missão de decifrá-las para dar sentido aos restos mortais de NN. O texto de Gracia Morales, traduzido para o português por Gilberto Gawronski, conduz o leitor pela investigação sobre a vida de NN e o envolve em uma trama densa e comovente que rendeu à dramaturga o Prêmio SGAE de Teatro, em 2008.

O princípio de Arquimedes, de Josep Maria Miró i Coromina

Tradutor: Luís Artur Nunes

O princípio de Arquimedes centra-se na história de Rubens, um jovem professor de natação que é visto confortando um aluno com um beijo e, a partir de então, começa a ter sua integridade questionada. A partir do ocorrido, cada fala, cada gesto de Rubens passa a ser observado à luz da suspeita, até que a pressão à sua volta toma proporções inesperadas. O texto de Miró, traduzido para o português por Luis Artur Nunes e vencedor do Prêmio Born de Teatre 2011, coloca todos, inclusive o leitor, em um estado inquietante de suspeita e desconfiança e o convida, assim, a tomar partido entre o que se diz, o que se presume e o que de fato aconteceu.

Münchausen, de Lucía Vilanova

Tradutor: Pedro Brício

O pequeno Nik, que padece de uma doença misteriosa, cresce vagando pelos corredores labirínticos de sua casa, montado em seu burrinho inflável. Através dessa infinita travessia do protagonista por entre os cômodos da casa, Münchausen revela sutilmente complexas e por vezes obscuras relações familiares. O olhar da criança permite a fabulação que transforma sentimentos e medos cotidianos em uma instigante dramaturgia evidenciando a doença de uma família. Münchausen, traduzida para o português por Pedro Brício, rendeu a Lucía Vilanova o Prêmio Assistej – Espanha de melhor texto teatral em 2007.

Après moi, le déluge (Depois de mim, o dilúvio), de Lluïsa Cunillé

Tradutor: Marcio Meirelles

Um empresário e uma intérprete conversam em um hotel em Kinshasa, na República Democrática do Congo, enquanto aguardam alguém para uma reunião. Ambos são europeus que escolheram viver na África. Quem chega para encontrá-los é um senhor africano, pobre e sem perspectivas, que tenta convencer o empresário a levar consigo seu filho e dar a ele a possibilidade de um destino diferente. Après moi, le déluge (Depois de mim, o dilúvio), texto da premiada autora Lluïsa Cunillé, traduzido para o português por Marcio Meirelles, não apenas expõe faces cruéis da África – retratos da violência, da pobreza, da selva e de crianças-soldados –, como também revela aspectos da decadência europeia e de sua indiferença frente ao continente africano.

Cachorro morto na lavanderia: os fortes, de Angélica Liddell

Tradutora: Beatriz Sayad

Na peça Cachorro morto na lavanderia: os fortes, a premiada dramaturga Angélica Liddell ressuscita o gênero apocalíptico da política-ficção em um texto que nos permite refletir sobre as experiências totalitárias e é capaz de entrever as catástrofes rumo às quais o homem caminha. O texto, traduzido por Beatriz Sayad, tem em seu cerne um fragmento do Contrato social, de Rousseau, e mergulha em discussões insólitas sobre a decadência — ou a catástrofe — das premissas sobre as quais se constroem o pensamento iluminista-ocidental: liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e racionalidade.

Alberto Conejero LópezAlberto Conejero López
Fernando YamamotoFernando Yamamoto
Paco BezerraPaco Bezerra
Roberto AlvimRoberto Alvim
José Manuel MouraJosé Manuel Moura
Cibele ForjazCibele Forjaz
Juan MayorgaJuan Mayorga
Aderbal Freire-FilhoAderbal Freire-Filho
Laila RipollLaila Ripoll
Hugo RodasHugo Rodas
Gracia MoralesGracia Morales
Gilberto GawronskiGilberto Gawronski
Josep Maria MiróJosep Maria Miró
Luís Arthur NunesLuís Arthur Nunes
Lucía VilanovaLucía Vilanova
Pedro BrícioPedro Brício
Lluïsa CunilléLluïsa Cunillé
Marcio MeirellesMarcio Meirelles
Angélica LiddellAngélica Liddell
Beatriz SayadBeatriz Sayad

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